Sítio arqueológico do tipo geoglifo.
Forma: circular/oval
Dimensões: 95x115 metros
Município: Plácido de Castro - AC
Localização: 10°13'21.6246''S 67°22'9.5426''W (coordenadas)
Atalho de acesso: http://wikimapia.org#lat=-10.2226735&lon=-67.3693174&z=16&l=9&m=b&v=8
Mostrando postagens com marcador arqueologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador arqueologia. Mostrar todas as postagens
18 dezembro 2012
Geoglifos da Amazônia Brasileira
marcadoreS:
Acre,
amazônia,
archaeology,
arqueologia,
Geoglifos,
geoglyph
22 agosto 2012
Geoglifos do Acre - Brasil
Geoglifo
Fonte: Google Earth
Localização: -10.0879462S -67.5086474W
Disponível em: http://wikimapia.org/#lang=pt&lat=-10.087946&lon=-67.508647&z=19&m=h
marcadoreS:
Acre,
amazônia,
arqueologia,
Geoglifos,
geoglyph
Local:
BR-364 - AC, Brasil
18 janeiro 2012
Geoglifos entre a arqueologia e o paisagismo - Curiosidades do Google Earth
Geoglifos entre a arqueologia e o paisagismo atual
Praça 26 de Novembro em Solânea-PB, onde se pode perceber discretamente o desenho de um peixe, visto apenas do alto.

Possível lago em formato de peixe (estilizado) construído em baixo relevo. Setor de condomínios no município de Jundiaí-SP, servidos pela rodovia SP-300.
As figuras em questão poderiam ser consideradas geoglifos? Tudo leva a crer que sim, com base na definição* já consagrada para essas ocorrências; claro está que o trato, neste caso acima, não passa pelo viés arqueológico comum associado aos geoglifos tradicionais do Peru (Nazca), Chile, Bolívia ou mesmo aqueles encontrados nos estados brasileiros do Acre, Amazonas e Rondônia.
Abaixo, trago figuras de geoglifos identificados através de imagens de satélite com as respectivas coordenadas geográficas e deixo a seguinte indagação: deve-se publicizar a localização de sítios arqueológicos?
Essa parece ser uma questão que incomoda boa parte dos técnicos ligados ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), a julgar pela quantidade inexpressiva de dados disponibilizados no sítio virtual desse órgão. Ao que se sabe, apenas uma quantidade muito pequena vai parar no banco de dados acessível ao público em geral. Até mesmo sítios já bastante conhecidos não constam do banco de dados publicado.
Ocorre que, com o advento da enorme mudança estrutural porque passam vários setores estratégicos no Brasil, através de megaconstruções e empreendimentos com impacto ambiental significativo, uma imensa quantidade de dados (arqueológicos e de patrimônio cultural, sobretudo) está sendo produzida e processada, mesmo que parcialmente, reunida e entregue ao IPHAN em cumprimento dos compromissos firmados entre empreendedores e órgãos licenciadores.
Se as empresas de arqueologia por contrato privado entregam relatórios técnico-científicos ao IPHAN, por quais motivos não há uma disponibilização, mesmo que virtual, de tais dados?
Há, de fato, um temor pela "destruição" de tais sítios? Havendo esse temor, em que medida pode ser mensurada tal suposição?
Faltam técnicos suficientes para alimentar o banco de dados?
obs.: para visualizar as imagens no Google EarthTM basta copiar as coordenadas e cola-las no campo "voar para" e pressionar ENTER. Também é possível visualizá-las no Google MapsTM da mesma forma.
Localização: 9°52'20.42"S 67°23'22.31"W
Localização: 9°52'54.08"S 67°24'59.56"W
Localização: 9°52'30.87"S 67°32'4.34"W
Localização: 9°52'48.48"S 67°26'44.72"W
Localização: 9°57'45.68"S 67°29'27.33"W
Localização: 9°57'45.03"S 67°29'52.34"W
*Geoglifos são vestígios arqueológicos representados por desenhos geométricos (linhas, quadrados, círculos, octógonos, hexágonos etc...), zoomorfos (animais) ou antropomorfos (formas humanas), de grandes dimensões e elaborados sobre o solo, que podem ser totalmente e melhor observados se vistos do alto, em especial, através de sobrevôo. Fonte: http://www.geoglifos.com.br/geoglifos.htm
Para mais informações sobre o andamento das pesquisas arqueológicas relacionadas a geoglifos na amazônia: http://www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=arqueologia&id=16
marcadoreS:
arqueologia,
Geoglifos,
IPHAN
Local:
Solânea - PB, Brasil
01 setembro 2007
"Wóchito ama Katíucia"
A destruição de sítios arqueológicos e do patrimônio histórico-cultural dos povos*
A destruição de sítios arqueológicos e do patrimônio histórico-cultural dos povos*
A carência de estudos que enfoquem especificamente o que vem sendo denominado de “destruição” antrópica de sítios arqueológicos pode explicar sobremaneira a visão que comporta esse entendimento, na maioria das vezes, condenatório.
Os sítios submetidos às análises, tomadas como exemplo, pelos autores que corroboram com tal entendimento, carregam as feições, em sua maioria, de sítios rupestres (pinturas e gravuras), em que vêm sendo apontados como principais alvos dos destruidores.
Também tomados como “vândalos”, “pichadores” e adjetivos negativos correlatos, esses sujeitos são vistos como anti-sociais porque desrespeitadores das leis e normas sociais vigentes. Segundo consta das reclamações de pesquisadores e cidadãos amigos do patrimônio arqueológico que hospedam textos na Internet, a maior parte dos estragos é feita por turistas ou pessoas de índole maldosa e de interesse proposital pela depredação. Outra parte, menor, mas também significativa, dá conta dos sujeitos desconhecedores do potencial e da importância de tais sítios para a compreensão de nosso passado, bem como da legislação que os protege.
A destruição feita, na maioria das vezes, traz como característica principal a sobreposição de traços e signos aos já existentes e tomados como arqueológicos, sejam pinturas ou mesmo gravuras. No caso das pinturas são usados materiais encontrados nos arredores, como carvão, barro, hematita, frutas silvestres etc, e aqueles levados de casa, como giz, tinta sob pressão (spray), tintas aplicadas com pincéis, etc; no caso das gravuras, quando a superfície rochosa oferece certa fragilidade, os objetos empregados são aqueles encontrados também nos arredores, como pedaços de madeira, rochas pontiagudas ou cortantes, etc, e aqueles trazidos de outros ambientes, como canivetes, facões, facas, enfim, principalmente metálicos e industrializados.
Ocorre que esse assunto, apesar de presente nas rodas de pesquisadores e estudiosos, não recebeu a atenção merecida por esses próprios debatedores, com poucas exceções. A tônica das críticas é sempre a mesma, revelando não só o pouco conhecimento que temos da questão como também a tendência teórico-ideológica a que muitos se coadunam.
A destruição de sítios arqueológicos já era uma preocupação de pesquisadores nos anos anteriores a década de 1960, pelo que veio a manifestar-se em lei que visava a proteção e criminalizava os responsáveis por tais danos.
Embora não haja um estudo rigoroso e amplo para todo o País que nos ilustre a participação de turistas na destruição de sítios arqueológicos, ainda assim há uma insistência por parte de alguns pesquisadores e estudiosos em condená-los como os principais desfiguradores do patrimônio cultural, principalmente arqueológico.
Tarefa árdua também seria efetuar um levantamento nos relatórios de sítios estudados para identificar os tipos de danos registrados desde o início das pesquisas, passando pelo tempo em que elas decorreram aos dias posteriores a seu término.
Por outro lado não é menos fácil comprovar a destruição por outros agentes, mas pode-se especular baseando-se em comentários de técnicos, pesquisadores e leitura de relatórios de diagnóstico (EIA-RIMA), ocupados no estudo de sítios e áreas com impacto ambiental, ligados aos projetos de resgate obrigatório de parte dos componentes da biota e do patrimônio cultural como um todo.
Seguramente os maiores destruidores não só de sítios, mas de toda a área contextual deles, na maioria das vezes, são os empreendedores de grandes projetos que visam lucros; historicamente e em ordem decrescente de caráter destrutivo talvez pudéssemos eleger os latifundiários pecuaristas, produtores agrícolas de monocultura (soja, cana-de-açúcar, milho, algodão, etc.), reflorestadores para indústria de papel e celulose (notadamente, pinheiros e eucalíptos), empreiteiras construtoras de usinas hidrelétricas, de estradas e rodovias, os donos de canais e reservatórios de água para irrigação de parques de fruticultura, construtoras de linhas de transmissão de energia elétrica, os médios e pequenos produtores rurais, os arqueólogos e por fim, os turistas.
Em boa parte desses tipos a destruição é apenas parcial, como no caso dos pecuaristas e os produtores rurais de monocultura; conquanto haja significativos danos aos vestígios arqueológicos por força do desmatamento, aragem e gradeação do solo, nesses casos não se perde totalmente os dados, possibilitando por vezes boas possibilidades de recomposição da história daqueles indivíduos.
Já nos demais casos, mesmo que se considere a inundação como uma proteção como querem alguns, embora isso torne cada vez mais distante e dispendioso o conhecimento desses sítios através da arqueologia subaquática, a destruição é irreversível, principalmente ao que compete aos arqueólogos (embora alguns trabalhos de resgate visem uma pequena amostra arbitrária da totalidade dos vestígios); por fim, ao que concerne aos turistas, na maioria dos casos talvez não seja de todo irreversível, posto que hoje já existem técnicas, equipamentos e produtos que se não resgatam o estado anterior à depredação, ao menos a amenizam de alguma forma. Os “horrores” – segundo um sítio espanhol[1] para tratar das ações posteriores de turistas, vândalos e “curiosos” em geral – se manifestam em sua maioria reversíveis parcialmente.
Não que não devêssemos nos preocupar com a perda das informações ocasionadas por intervenções posteriores como as dos turistas, por exemplo, mas havemos de mostrar preocupação, no mínimo, de igual teor com os destruidores de sítios de fato, como explicitado anteriormente.
As compreensões da realidade e a formulação dos discursos são frutos das relações sociais e dos momentos históricos correlatos, de modo que, se analisarmos as proposições do que vem sendo chamado de “depredação/destruição” do patrimônio cultural, teremos tendências variadas a nos informarem minimamente seus suleadores[2] ideológicos.
As transformações do espaço provocadas por homens e mulheres num determinado tempo são consideradas grosso modo, através do estudo de seus vestígios pelos pesquisadores, sítios arqueológicos. Mas há uma tendência em buscar apenas como tal os vestígios mais distantes no tempo, talvez, como já disseram muitos historiadores, por ser mais difícil sua contestação.
Embora alguns arqueológos atuais critiquem os pares dos anos 30 da era Mussoliniana sobre a “onda desenterradora”[3] a que foi submetida Roma antiga neste período e também as decisões de remoção de parte das ruinas do Foro Imperiale a mando do próprio Mussolini, a fim de melhorar a vista de sua casa em sentido ao Colosseo, ainda assim são consideradas manifestações arqueológicas que nos ilustram as transformações físicas da cidade e da compreensão das pessoas sobre os espaços e as coisas.
O que é hoje objeto de investigação histórica e arqueológica e de apreciação turística, como no caso da Basílica S. Maria degli Angeli e dei Martiri, foi em outros tempos as Terme di Diocleziano. A destruição de parte e reaproveitamento de algumas estruturas foram autorizados e encomendados pelo Papa Pio IV e o projeto de transformação na Basílica atual levou a assinatura de Michelângelo como arquiteto. Partes do Coliseu também serviram aos interesses da Igreja Católica e às estruturas da Basílica de São Pedro.
Nesse mesmo sentido, a mudança de parte do traçado de algumas ruas bem como a desarticulação de porções dos aquedutos romanos também refletem, para além dos próprios contemporâneos às obras, para os historiadores e arqueólogos, por exemplo, as políticas de Governo e as necessidades e dificuldades enfrentadas para sanar problemas de trânsito e a conveniência das “reciclagens construtivas” daquele período.
As transformações que os membros de uma comunidade, com ou sem o aval dos demais, proporcionam aos espaços e às coisas ao longo do tempo deveriam compor aos olhares dos estudiosos o mosaico dos processos históricos e serem entendidos como tais. Até mesmo a reclamação de políticas que protejam os sítios rupestres bem como as condenações levadas a cabo tanto pelos denuncistas como pelos órgãos responsáveis, fazem parte e nos mostram uma preocupação de época. Esses comportamentos e seus eventuais estudos ou sua não-compreensão também compõem os processos históricos.
O estudo das “pichações” em prédios e muros de uma cidade coberta por cinza vulcânica, como no caso de Pompéia, Itália, foram revelados e são atualmente objeto de discussão arqueológica meritosa. Nesse mesmo sentido, as pichações de prédios e muros na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, também serviram de estudo arqueológico recentemente.
Boa parte das informações sobre o emprego de crianças nas fábricas e como se relacionavam pôde ser adquirida por meio de “pichações” nas paredes das dependências e nas peças produzidas. Um caso que ilustra essa afirmação é a quantidade de bolinhas de gude e os escritos em fragmentos de louça encontrados nas escavações de resgate arqueológico do que havia sido a Fábrica de Louças Santa Catarina, no bairro da Lapa, em São Paulo, do início do século XX.
No caso das manifestações derradeiras em sítios arqueológicos e monumentos históricos tomadas como vandalismo e depredação ilustram as vontades daqueles visitantes e expressam, por exemplo, sua indignação, sua revolta, seu desconhecimento das leis de proteção correlatas, enfim, seus comportamentos frente às coisas, aos outros e aos “iguais”.
A grosso modo, o entendimento de que tais manifestações não carregam cunho arqueológico e devem receber a condenação por parte de alguns pesquisadores do que vem a ser o registro como um documento, os conceitos referentes a este tipo de abordagem revelam o caráter purista da noção histórica e a carga ideológica positivista presente nas interpretações da realidade material.
Em geral, as orientações materialistas dos processos históricos carregariam peso de interesse para as manifestações derradeiras igual ao dispensado aos registros “puros” pelos positivistas. Ao contrário da corrente majoritária que condena tais manifestações e as vê passíveis de serem criminalizadas mesmo que os “sujeitos históricos” não venham a saber sobre a legislação, os estudiosos materialistas debruçam-se sobre os significados dessas manifestações como fruto das relações sociais atuais e daí tiram mais componentes para o entendimento de todo registro arqueológico como processos sucessórios.
Conquanto não haja tais estudos capazes de nos dar um diagnóstico da situação de conservação do patrimônio cultural como um todo, como já antecipado, a condenação parece carregar um preconceito de classe subliminar em que os destruidores são apontados como pessoas “sem cultura”, “analfabetas”, de “poucos estudos” ou simplesmente como “vagabundos”, vândalos, enfim, subalternizados.
Mas uma pequena observação pelos sítios e blogs na Internet em que falam dessas questões já se averigua que não se trata de desinformação ou analfabetismo. Os maiores responsáveis pela compra de material arqueológico e paleontológico e, conseqüentemente, os incentivadores da prática de desfiguração dos sítios – os colecionadores – são exatamente o oposto das acusações, pois são pessoas cultas, das elites financeira e intelectual. Outro ponto a considerar pode ser feito através da interpretação dessas manifestações, em que se pode observar, no caso de sítios e monumentos históricos romanos, por exemplo, grafismos que tratam de situações majoritariamente públicas e também particulares, dessa maneira perfeitamente compreensíveis e factíveis de datação.
“Berlusconi schiavo di Bush” ilustra uma coluna da ponte Giuseppe Garibaldi sobre o rio Tevere, no centro antigo de Roma. Nos informa uma reação de cidadãos à submissão do então primeiro ministro da Itália ao governo imperialista de George W. Bush, atual presidente dos EUA. Na mureta de proteção que margeia o mesmo Rio, a pouca distância dali, nota-se a inscrição “Pace e figa”. Tanto as manifestações políticas (pedido de paz) como as ligadas à sexualidade (gíria alusiva ao órgão genital feminino) fazem parte do constructo social. (imagem da capa)
Os sítios submetidos às análises, tomadas como exemplo, pelos autores que corroboram com tal entendimento, carregam as feições, em sua maioria, de sítios rupestres (pinturas e gravuras), em que vêm sendo apontados como principais alvos dos destruidores.
Também tomados como “vândalos”, “pichadores” e adjetivos negativos correlatos, esses sujeitos são vistos como anti-sociais porque desrespeitadores das leis e normas sociais vigentes. Segundo consta das reclamações de pesquisadores e cidadãos amigos do patrimônio arqueológico que hospedam textos na Internet, a maior parte dos estragos é feita por turistas ou pessoas de índole maldosa e de interesse proposital pela depredação. Outra parte, menor, mas também significativa, dá conta dos sujeitos desconhecedores do potencial e da importância de tais sítios para a compreensão de nosso passado, bem como da legislação que os protege.
A destruição feita, na maioria das vezes, traz como característica principal a sobreposição de traços e signos aos já existentes e tomados como arqueológicos, sejam pinturas ou mesmo gravuras. No caso das pinturas são usados materiais encontrados nos arredores, como carvão, barro, hematita, frutas silvestres etc, e aqueles levados de casa, como giz, tinta sob pressão (spray), tintas aplicadas com pincéis, etc; no caso das gravuras, quando a superfície rochosa oferece certa fragilidade, os objetos empregados são aqueles encontrados também nos arredores, como pedaços de madeira, rochas pontiagudas ou cortantes, etc, e aqueles trazidos de outros ambientes, como canivetes, facões, facas, enfim, principalmente metálicos e industrializados.
Ocorre que esse assunto, apesar de presente nas rodas de pesquisadores e estudiosos, não recebeu a atenção merecida por esses próprios debatedores, com poucas exceções. A tônica das críticas é sempre a mesma, revelando não só o pouco conhecimento que temos da questão como também a tendência teórico-ideológica a que muitos se coadunam.
A destruição de sítios arqueológicos já era uma preocupação de pesquisadores nos anos anteriores a década de 1960, pelo que veio a manifestar-se em lei que visava a proteção e criminalizava os responsáveis por tais danos.
Embora não haja um estudo rigoroso e amplo para todo o País que nos ilustre a participação de turistas na destruição de sítios arqueológicos, ainda assim há uma insistência por parte de alguns pesquisadores e estudiosos em condená-los como os principais desfiguradores do patrimônio cultural, principalmente arqueológico.
Tarefa árdua também seria efetuar um levantamento nos relatórios de sítios estudados para identificar os tipos de danos registrados desde o início das pesquisas, passando pelo tempo em que elas decorreram aos dias posteriores a seu término.
Por outro lado não é menos fácil comprovar a destruição por outros agentes, mas pode-se especular baseando-se em comentários de técnicos, pesquisadores e leitura de relatórios de diagnóstico (EIA-RIMA), ocupados no estudo de sítios e áreas com impacto ambiental, ligados aos projetos de resgate obrigatório de parte dos componentes da biota e do patrimônio cultural como um todo.
Seguramente os maiores destruidores não só de sítios, mas de toda a área contextual deles, na maioria das vezes, são os empreendedores de grandes projetos que visam lucros; historicamente e em ordem decrescente de caráter destrutivo talvez pudéssemos eleger os latifundiários pecuaristas, produtores agrícolas de monocultura (soja, cana-de-açúcar, milho, algodão, etc.), reflorestadores para indústria de papel e celulose (notadamente, pinheiros e eucalíptos), empreiteiras construtoras de usinas hidrelétricas, de estradas e rodovias, os donos de canais e reservatórios de água para irrigação de parques de fruticultura, construtoras de linhas de transmissão de energia elétrica, os médios e pequenos produtores rurais, os arqueólogos e por fim, os turistas.
Em boa parte desses tipos a destruição é apenas parcial, como no caso dos pecuaristas e os produtores rurais de monocultura; conquanto haja significativos danos aos vestígios arqueológicos por força do desmatamento, aragem e gradeação do solo, nesses casos não se perde totalmente os dados, possibilitando por vezes boas possibilidades de recomposição da história daqueles indivíduos.
Já nos demais casos, mesmo que se considere a inundação como uma proteção como querem alguns, embora isso torne cada vez mais distante e dispendioso o conhecimento desses sítios através da arqueologia subaquática, a destruição é irreversível, principalmente ao que compete aos arqueólogos (embora alguns trabalhos de resgate visem uma pequena amostra arbitrária da totalidade dos vestígios); por fim, ao que concerne aos turistas, na maioria dos casos talvez não seja de todo irreversível, posto que hoje já existem técnicas, equipamentos e produtos que se não resgatam o estado anterior à depredação, ao menos a amenizam de alguma forma. Os “horrores” – segundo um sítio espanhol[1] para tratar das ações posteriores de turistas, vândalos e “curiosos” em geral – se manifestam em sua maioria reversíveis parcialmente.
Não que não devêssemos nos preocupar com a perda das informações ocasionadas por intervenções posteriores como as dos turistas, por exemplo, mas havemos de mostrar preocupação, no mínimo, de igual teor com os destruidores de sítios de fato, como explicitado anteriormente.
As compreensões da realidade e a formulação dos discursos são frutos das relações sociais e dos momentos históricos correlatos, de modo que, se analisarmos as proposições do que vem sendo chamado de “depredação/destruição” do patrimônio cultural, teremos tendências variadas a nos informarem minimamente seus suleadores[2] ideológicos.
As transformações do espaço provocadas por homens e mulheres num determinado tempo são consideradas grosso modo, através do estudo de seus vestígios pelos pesquisadores, sítios arqueológicos. Mas há uma tendência em buscar apenas como tal os vestígios mais distantes no tempo, talvez, como já disseram muitos historiadores, por ser mais difícil sua contestação.
Embora alguns arqueológos atuais critiquem os pares dos anos 30 da era Mussoliniana sobre a “onda desenterradora”[3] a que foi submetida Roma antiga neste período e também as decisões de remoção de parte das ruinas do Foro Imperiale a mando do próprio Mussolini, a fim de melhorar a vista de sua casa em sentido ao Colosseo, ainda assim são consideradas manifestações arqueológicas que nos ilustram as transformações físicas da cidade e da compreensão das pessoas sobre os espaços e as coisas.
O que é hoje objeto de investigação histórica e arqueológica e de apreciação turística, como no caso da Basílica S. Maria degli Angeli e dei Martiri, foi em outros tempos as Terme di Diocleziano. A destruição de parte e reaproveitamento de algumas estruturas foram autorizados e encomendados pelo Papa Pio IV e o projeto de transformação na Basílica atual levou a assinatura de Michelângelo como arquiteto. Partes do Coliseu também serviram aos interesses da Igreja Católica e às estruturas da Basílica de São Pedro.
Nesse mesmo sentido, a mudança de parte do traçado de algumas ruas bem como a desarticulação de porções dos aquedutos romanos também refletem, para além dos próprios contemporâneos às obras, para os historiadores e arqueólogos, por exemplo, as políticas de Governo e as necessidades e dificuldades enfrentadas para sanar problemas de trânsito e a conveniência das “reciclagens construtivas” daquele período.
As transformações que os membros de uma comunidade, com ou sem o aval dos demais, proporcionam aos espaços e às coisas ao longo do tempo deveriam compor aos olhares dos estudiosos o mosaico dos processos históricos e serem entendidos como tais. Até mesmo a reclamação de políticas que protejam os sítios rupestres bem como as condenações levadas a cabo tanto pelos denuncistas como pelos órgãos responsáveis, fazem parte e nos mostram uma preocupação de época. Esses comportamentos e seus eventuais estudos ou sua não-compreensão também compõem os processos históricos.
O estudo das “pichações” em prédios e muros de uma cidade coberta por cinza vulcânica, como no caso de Pompéia, Itália, foram revelados e são atualmente objeto de discussão arqueológica meritosa. Nesse mesmo sentido, as pichações de prédios e muros na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, também serviram de estudo arqueológico recentemente.
Boa parte das informações sobre o emprego de crianças nas fábricas e como se relacionavam pôde ser adquirida por meio de “pichações” nas paredes das dependências e nas peças produzidas. Um caso que ilustra essa afirmação é a quantidade de bolinhas de gude e os escritos em fragmentos de louça encontrados nas escavações de resgate arqueológico do que havia sido a Fábrica de Louças Santa Catarina, no bairro da Lapa, em São Paulo, do início do século XX.
No caso das manifestações derradeiras em sítios arqueológicos e monumentos históricos tomadas como vandalismo e depredação ilustram as vontades daqueles visitantes e expressam, por exemplo, sua indignação, sua revolta, seu desconhecimento das leis de proteção correlatas, enfim, seus comportamentos frente às coisas, aos outros e aos “iguais”.
A grosso modo, o entendimento de que tais manifestações não carregam cunho arqueológico e devem receber a condenação por parte de alguns pesquisadores do que vem a ser o registro como um documento, os conceitos referentes a este tipo de abordagem revelam o caráter purista da noção histórica e a carga ideológica positivista presente nas interpretações da realidade material.
Em geral, as orientações materialistas dos processos históricos carregariam peso de interesse para as manifestações derradeiras igual ao dispensado aos registros “puros” pelos positivistas. Ao contrário da corrente majoritária que condena tais manifestações e as vê passíveis de serem criminalizadas mesmo que os “sujeitos históricos” não venham a saber sobre a legislação, os estudiosos materialistas debruçam-se sobre os significados dessas manifestações como fruto das relações sociais atuais e daí tiram mais componentes para o entendimento de todo registro arqueológico como processos sucessórios.
Conquanto não haja tais estudos capazes de nos dar um diagnóstico da situação de conservação do patrimônio cultural como um todo, como já antecipado, a condenação parece carregar um preconceito de classe subliminar em que os destruidores são apontados como pessoas “sem cultura”, “analfabetas”, de “poucos estudos” ou simplesmente como “vagabundos”, vândalos, enfim, subalternizados.
Mas uma pequena observação pelos sítios e blogs na Internet em que falam dessas questões já se averigua que não se trata de desinformação ou analfabetismo. Os maiores responsáveis pela compra de material arqueológico e paleontológico e, conseqüentemente, os incentivadores da prática de desfiguração dos sítios – os colecionadores – são exatamente o oposto das acusações, pois são pessoas cultas, das elites financeira e intelectual. Outro ponto a considerar pode ser feito através da interpretação dessas manifestações, em que se pode observar, no caso de sítios e monumentos históricos romanos, por exemplo, grafismos que tratam de situações majoritariamente públicas e também particulares, dessa maneira perfeitamente compreensíveis e factíveis de datação.
“Berlusconi schiavo di Bush” ilustra uma coluna da ponte Giuseppe Garibaldi sobre o rio Tevere, no centro antigo de Roma. Nos informa uma reação de cidadãos à submissão do então primeiro ministro da Itália ao governo imperialista de George W. Bush, atual presidente dos EUA. Na mureta de proteção que margeia o mesmo Rio, a pouca distância dali, nota-se a inscrição “Pace e figa”. Tanto as manifestações políticas (pedido de paz) como as ligadas à sexualidade (gíria alusiva ao órgão genital feminino) fazem parte do constructo social. (imagem da capa)
No Brasil, por ocasião das revoltas estudantis à opressão e às medidas autoritárias dos Governos militares de 1964 a 1984, muros e prédios públicos serviram de suporte parietal a manifestações públicas que contestavam o fascismo praticado pelo Estado e pediam as liberdades democráticas.
Os estudos de vários sítios rupestres dão conta de interpretações sobre rituais de sexo em que aparecem figuras humanas, falos e vulvas, cenas de caça, tipos de animais, símbolos, etc. Um motivo muito presente nas manifestações recentes em sítios arqueológicos têm muita correspondência com aquelas passadas, em que 
as alusões aos órgãos genitais masculinos e femininos ou sua neces-sidade de deixar marcada ali sua passagem reproduzem, em boa medida a vontade e o pensamento daqueles ocupantes, diria, um pouco menos demorados ali.
Revelam um pouco da mentalidade dessas pessoas, o que para os arqueológos e historiadores materialistas acaba sendo mais uma fonte de informação.
O que parece estar acontecendo, são tentativas de exclusão daquelas camadas arqueológicas que não representam parte do registro “puro”. As últimas manifestações são “jogadas fora” por poluirem o pacote.
Por exemplo, as primeiras pinturas de um painel remontam a caçadores coletores de 4,5 mil anos atrás. Posteriormente o mesmo sítio é ocupado por ceramistas que deixam ali marcas de gordura, riscos na rocha sobre as pinturas decorrentes de escoras de madeira que podemos datar como sendo de 2 mil a 500 anos antes do presente. Colonizadores portugueses aproveitam o local para armar seus acampamentos de captura de escravizados fugidos e pesquisa mineralógica (ouro) no século XVIII do calendário católico (300 anos atrás) e lá deixam também seus registros, como pinturas, fogueiras, restos alimentares, etc. Num painel mais plano e amplo se vê ali uma inscrição: “Expedição Matto Grosso-Amazonas 1907”, deixada pela equipe de Marechal Rondon. “José Góes 1963 estive aqui” ilustra a permanência temporária de um garimpeiro que remexe o pacote arqueológico em busca das lendárias “botijas de ouro” que porventura poderiam estar ali enterradas. Hoje se pode ver nos painéis, além de todas essas manifestações uma pintura que podemos decodificar como "Wóchito ama Katíucia", além evidentemente, de desenhos sugerindo ânus, pênis e vaginas, às vezes conjugados.
Talvez pudéssemos inferir que o fato de haverem já manifestações expressas nos painéis, as posteriores poderão ter sido sugeridas por aquelas.
Desse modo, cabe-nos uma análise mais cuidadosa dos tratos despendidos tanto nas abordagens arqueológicas como nas de proteção dos sítios e do patrimônio histórico-cultural, de maneira que incorporemos ao nosso estudo tais manifestações e as estudemos como constitutivas do processo histórico a recompor.
(3)
O que parece estar acontecendo, são tentativas de exclusão daquelas camadas arqueológicas que não representam parte do registro “puro”. As últimas manifestações são “jogadas fora” por poluirem o pacote.
Por exemplo, as primeiras pinturas de um painel remontam a caçadores coletores de 4,5 mil anos atrás. Posteriormente o mesmo sítio é ocupado por ceramistas que deixam ali marcas de gordura, riscos na rocha sobre as pinturas decorrentes de escoras de madeira que podemos datar como sendo de 2 mil a 500 anos antes do presente. Colonizadores portugueses aproveitam o local para armar seus acampamentos de captura de escravizados fugidos e pesquisa mineralógica (ouro) no século XVIII do calendário católico (300 anos atrás) e lá deixam também seus registros, como pinturas, fogueiras, restos alimentares, etc. Num painel mais plano e amplo se vê ali uma inscrição: “Expedição Matto Grosso-Amazonas 1907”, deixada pela equipe de Marechal Rondon. “José Góes 1963 estive aqui” ilustra a permanência temporária de um garimpeiro que remexe o pacote arqueológico em busca das lendárias “botijas de ouro” que porventura poderiam estar ali enterradas. Hoje se pode ver nos painéis, além de todas essas manifestações uma pintura que podemos decodificar como "Wóchito ama Katíucia", além evidentemente, de desenhos sugerindo ânus, pênis e vaginas, às vezes conjugados.
Talvez pudéssemos inferir que o fato de haverem já manifestações expressas nos painéis, as posteriores poderão ter sido sugeridas por aquelas.
Desse modo, cabe-nos uma análise mais cuidadosa dos tratos despendidos tanto nas abordagens arqueológicas como nas de proteção dos sítios e do patrimônio histórico-cultural, de maneira que incorporemos ao nosso estudo tais manifestações e as estudemos como constitutivas do processo histórico a recompor.
(3) Pinturas rupestres dañadas por excursionistas.( Cueva de Atlanterra )
(atalhos para a página)
Referências
Imagens:
Capa-frontispício:
(atalhos para a página)
Referências
Imagens:
Capa-frontispício:
Serra da Capivara (1) e “Pace e Figa” – Para-peito do Rio Tevere, Roma, 2006. JHR
(1) Serra da Capivara - home.wxs.nl/~bange006/natparcs.html
(2) Manifesto estudantil de 1968 http://www.cliohistoria.hpg.ig.com.br/bco_imagens/ditadura/023abaixo_rj_68.htm
(3) Imagens de arte “danificada” – A “Galería de los horrores” www.elestrecho.com/arte-sur/
notas:
* texto apresentado em outubro de 2006 como requisito de avaliação da disciplina ARQ5018-1 Comportamentos Simbólicos dos Homens Pré-Históricos, ministrada pelos professores Águeda e Denis Vialou no Museu de Arqueologia e Etnologia - Universidade de São Paulo
[1] www.elestrecho.com/arte-sur/
[2] Termo em substituição ao já difundido “norteador”, como inversão ideológica ilustrativa da não-aceitação do termo subjugador presente nos discursos imperialistas, em sua maioria, inconscientes e reprodutivistas.
[3] “I Romani e l’arte. Tra collezionismo, amore per il lusso e ‘cattiva coscienza’. Roma e il mondo greco. La ritrattistica e il rilievo storico.” Scuola d’Italiano Roma. Aula de 18 de outubro de 2006.
[1] www.elestrecho.com/arte-sur/
[2] Termo em substituição ao já difundido “norteador”, como inversão ideológica ilustrativa da não-aceitação do termo subjugador presente nos discursos imperialistas, em sua maioria, inconscientes e reprodutivistas.
[3] “I Romani e l’arte. Tra collezionismo, amore per il lusso e ‘cattiva coscienza’. Roma e il mondo greco. La ritrattistica e il rilievo storico.” Scuola d’Italiano Roma. Aula de 18 de outubro de 2006.
marcadoreS:
arqueologia,
destruição,
materialismo histórico,
patrimônio cultural,
pichação,
pintura rupestre,
sítio
04 julho 2007
02 de julho de 2007 - Entrevista concedida a Manoel Ramos, aluno do 4o ano de graduação do curso de Licenciatura Plena em História pela Universidade Federal de Mato Grosso - Campus de Rondonópolis - UFMT-R, para completar seus estudos monográficos sobre a "Participação de alunos de História da UFMT-R nas pesquisas da Missão Franco-brasileira".
..........................................................................................................................................................................
Nota: Esta entrevista foi concedida via eletrôncica por meio de documento digital com as questões previamente formuladas pelo entrevistador e posteriormente encaminhada ao endereço eletrônico de sua orientadora, professora Dra. Maria Elsa Markus.
``´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´
QUESTIONÁRIO (Estudantes)
1 - Qual foi o motivo principal que levou você a participar dos estudos arqueológicos junto à missão franco-brasileira?
João Henrique:
1 - Qual foi o motivo principal que levou você a participar dos estudos arqueológicos junto à missão franco-brasileira?
João Henrique:
Em qualquer de minhas respostas queira considerar o fator ex post facto, porque já passados cinco anos e isso, seguramente, mudou minha própria percepção do passado; entretanto, creio que algumas coisas persistiram em minhas memórias. Primeiramente, pelo fato de já me ser frutuosa a idéia de buscar antigas ocupações na região onde cresci, em Minas Gerais, por conta de achados fortuitos de material arqueológico (majoritariamente urnas funerárias e lâminas de machado polido – “pedras-de-raio”) pelos tratoristas vizinhos de meu pai; já com doze para treze anos organizava equipes de “descobridores” na escola para percorrer as encostas da Serra Negra em busca de cavernas e abrigos sabidamente ocupados por “antigos índios”, segundo informações de moradores e sitiantes. Nessa mesma época pude vasculhar uma área do período escravista nas proximidades de Guimarânia, para entender melhor a história da cidade a respeito da escravidão e me deparei com cercas de pedra construídas por trabalhadores negros escravizados e que possuem dezenas de quilômetros e que ainda hoje continuam sem estudo. Aquilo para mim era fascinante... De certo modo, isto também foi o que me levou a entrar na universidade para cursar História. Já no primeiro ano tomei conhecimento das pesquisas na Cidade de Pedra, mas a falta de informações, ao que parecia, proposital, deixava qualquer pessoa sem nenhuma possibilidade de participação. O fato de me interessar desde cedo por arqueologia e por ter ali bem próximo pesquisas em andamento, me levou a fazer várias críticas a respeito da não-participação da UFMT, já que se tratava de patrimônio cultural da humanidade... Creio que minha maior motivação tenha sido a de romper com a postura submissa e indiferente de nossa Instituição diante das possibilidades de participação nas investigações do passado dessa região, ainda mais por se tratar de uma Instituição que abriga dois departamentos de História.
2-Qual foi o ano da sua primeira participação?
2-Qual foi o ano da sua primeira participação?
JH:
2001
3- Como você foi escolhido para participar? Houve alguma seleção? Se houve, de que maneira ela foi feita? Qual sua opinião, caso tenha participado de um processo seletivo para tal, sobre o mesmo?
3- Como você foi escolhido para participar? Houve alguma seleção? Se houve, de que maneira ela foi feita? Qual sua opinião, caso tenha participado de um processo seletivo para tal, sobre o mesmo?
JH:
O professor Adilson do departamento de História organizou uma seleção baseada no desempenho (currículo/notas) dos interessados; alcancei a média requerida (maiores notas) juntamente com outras duas pessoas;
Creio que o melhor caminho talvez não seja o do critério das médias de notas, a julgar pelos vários problemas que envolvem tanto as avaliações (de cunho majoritariamente subjetivo) como seu feitio (terceirização de trabalhos, colas, etc). Ao que me parece, o que está em jogo neste tipo de seleção não é exatamente o interesse do candidato e sim um critério excludente baseado no “mérito” das maiores notas. O Brasil vem sofrendo com essa cultura de mérito desde a ocupação agressiva e impositiva pelos europeus, tanto na fase inicial da colonização (genocídios religioso e estatal) quanto nessa última fase, já mais político-ideológica e baseada na submissão tecno-industrial por países imperialistas, seja econômico-militar quanto culturalmente. Um caminho viável a complementar ou mesmo substituir o critério das notas talvez seja o de, já no primeiro ano, anunciar no programa do curso essa possibilidade e de antemão já deixar claro quais serão os meios empregados para a dita seleção (de certo modo, isso se torna um agregador de incentivos à formação científica e ao desempenho dentro da sala de aula); entrevistas com os candidatos talvez recolham melhores dados para um resultado mais satisfatório não só para o próprio participante, mas também para a Universidade.
4-Você participou mais de uma vez? Por que?
JH:
Creio que o melhor caminho talvez não seja o do critério das médias de notas, a julgar pelos vários problemas que envolvem tanto as avaliações (de cunho majoritariamente subjetivo) como seu feitio (terceirização de trabalhos, colas, etc). Ao que me parece, o que está em jogo neste tipo de seleção não é exatamente o interesse do candidato e sim um critério excludente baseado no “mérito” das maiores notas. O Brasil vem sofrendo com essa cultura de mérito desde a ocupação agressiva e impositiva pelos europeus, tanto na fase inicial da colonização (genocídios religioso e estatal) quanto nessa última fase, já mais político-ideológica e baseada na submissão tecno-industrial por países imperialistas, seja econômico-militar quanto culturalmente. Um caminho viável a complementar ou mesmo substituir o critério das notas talvez seja o de, já no primeiro ano, anunciar no programa do curso essa possibilidade e de antemão já deixar claro quais serão os meios empregados para a dita seleção (de certo modo, isso se torna um agregador de incentivos à formação científica e ao desempenho dentro da sala de aula); entrevistas com os candidatos talvez recolham melhores dados para um resultado mais satisfatório não só para o próprio participante, mas também para a Universidade.
4-Você participou mais de uma vez? Por que?
JH:
Sim, duas campanhas, como são chamadas as etapas do “Projeto Paleoambiente do Mato Grosso”.
Como se trata de um sítio-escola, o refinamento das técnicas e métodos da arqueologia e também a compreensão das teorias correlatas são mais bem assimilados com etapas seguintes de maior entrosamento como membro com efetivo interesse e não mero “espectador” – pelo próprio caráter “alienígena” dos membros locais, como é, geralmente, no caso da primeira campanha.
5- Quais eram as expectativas quando você participou pela primeira vez?
JH:
Como se trata de um sítio-escola, o refinamento das técnicas e métodos da arqueologia e também a compreensão das teorias correlatas são mais bem assimilados com etapas seguintes de maior entrosamento como membro com efetivo interesse e não mero “espectador” – pelo próprio caráter “alienígena” dos membros locais, como é, geralmente, no caso da primeira campanha.
5- Quais eram as expectativas quando você participou pela primeira vez?
JH:
Seguramente maiores do que as vivenciadas, porque tudo muito novo; de certo modo esvaziadas, a começar pelo tratamento despendido com os “nativos”, “aborígines”, como éramos tratados pelos estudantes da USP em suas brincadeiras preconceituosas e propositais na reafirmação de suas supostas superioridades intelectuais e culturais.
O fato de entrar em contato com algo novo e que me era parcialmente desconhecido – não tivemos acesso prévio a informações das atividades desenvolvidas na campanha – creio que podem ter reduzido a quantidade de informações que poderíamos obter; penso que o diferencial básico entre os estudantes locais e aqueles vindos de outros centros de estudo é que eles já vêm familiarizados com a arqueologia, seja em disciplinas ou em laboratórios de estágio.
6 - Suas expectativas foram atendidas? De que maneira?
JH:
O fato de entrar em contato com algo novo e que me era parcialmente desconhecido – não tivemos acesso prévio a informações das atividades desenvolvidas na campanha – creio que podem ter reduzido a quantidade de informações que poderíamos obter; penso que o diferencial básico entre os estudantes locais e aqueles vindos de outros centros de estudo é que eles já vêm familiarizados com a arqueologia, seja em disciplinas ou em laboratórios de estágio.
6 - Suas expectativas foram atendidas? De que maneira?
JH:
No geral, creio que foram suficientes para dimensionar projeções futuras de estudo de pós-graduação e um contato de fato com tratamentos científicos na História.
7- Seu interesse pela pesquisa aumentou ou diminuiu a partir de então? Por que?
JH:
7- Seu interesse pela pesquisa aumentou ou diminuiu a partir de então? Por que?
JH:
Penso ter aumentado, porque mais palpável como fonte, como estudo e como campo. A atuação dos historiadores parece ser comprometida pela percepção de “virtualidade” que temos quando nos deparamos com linhas clássicas que trabalham com fontes autoritárias, como é o caso das documentações oficiais e mais recentemente com as fontes orais, subjetivas também, no mínimo, duplamente. Não que a arqueologia não o tenha também, mas nela tem-se a oportunidade de lidar com a informação em condição secundária, posto que foi perdida sua condição de origem. A maioria dos teóricos incorre num durativo descuido ao categorizar as fontes na História. Não oriento minha percepção em graus valorativos, mas suponho uma classificação diferente da usual e clássica, em que pese a rasura do resumo que faço adiante:
1 - Fonte primária – de certo, mais como sentido de origem, sobretudo as transformações do meio pela ação dos sujeitos, ou seja, a realidade material no ato de sua construção;
2 – Fonte secundária – os vestígios materiais resultantes dessa transformação/construção;
3 – Fonte terciária – interpretação contemporânea ou ex post facto dessa realidade;
4 – Fonte quaternária – resultado de investigações sobre as fontes secundárias e terciárias, para entendimento das origens (realidade do período em questão) resultantes dos dados analisados.
8- Quais foram as suas experiências nessa participação junto à missão franco-brasileira?
JH:
1 - Fonte primária – de certo, mais como sentido de origem, sobretudo as transformações do meio pela ação dos sujeitos, ou seja, a realidade material no ato de sua construção;
2 – Fonte secundária – os vestígios materiais resultantes dessa transformação/construção;
3 – Fonte terciária – interpretação contemporânea ou ex post facto dessa realidade;
4 – Fonte quaternária – resultado de investigações sobre as fontes secundárias e terciárias, para entendimento das origens (realidade do período em questão) resultantes dos dados analisados.
8- Quais foram as suas experiências nessa participação junto à missão franco-brasileira?
JH:
Para além dos contatos com membros da equipe e as relações de improviso e resistência às já mencionadas discriminações – o que também serviram para nosso aprimoramento como protocientistas, a oportunidade de aprender um pouco mais sobre o passado daquela região tem vindo à memória como ponto importante. Listaria experiências de forma mais subjetiva, como o melhor entendimento dos rumos da construção da História conhecimento e a abertura a novas interpretações da realidade, dadas as possibilidades de uso de fontes materiais tidas pelos historiadores como “auxiliares”. A lida diária com os professores envolvidos e sua abertura singular para diálogos até mesmo questionadores dos modelos explicativos utilizados, serviram de base para desmistificar um pouco a idéia preconcebida que se tem de cientistas do tipo.
9 – E, para a sua formação no Curso de Graduação de Licenciatura Plena em História, participar dos trabalhos da missão franco-brasileira trouxe alguma contribuição importante?Quais?
JH:
9 – E, para a sua formação no Curso de Graduação de Licenciatura Plena em História, participar dos trabalhos da missão franco-brasileira trouxe alguma contribuição importante?Quais?
JH:
Creio já ter respondido ao longo das questões anteriores, mas acrescentaria o fato de poder apreciar as estruturas dos discursos científicos frente a questões de ordem mais imediatas e contemporâneas, de cunho mais político-ideológico, eu classificaria; como por exemplo, a postura dos cientistas ligados a projetos dessa natureza acerca de problemas ambientais envolvendo a área de pesquisa, como também a “vista grossa” que eles têm feito acerca do uso da arqueologia e da “ecologia” por parte dos “proprietários” para legitimarem práticas lucrativas e excludentes a partir de patrimônio público. Ou não percebem – o que soa muito estranho, ou optam por não “comprometerem” as pesquisas subseqüentes com posicionamentos públicos que exponham tais problemas.
10 – Você apresentou o resultado do trabalho que você desenvolveu junto à Missão, em algum lugar? De que forma você apresentou esses resultados: Palestra? Seminário? Mini-curso?Mesa-Redonda?Monografia?Seu estudo foi publicado? Outros...
JH:
10 – Você apresentou o resultado do trabalho que você desenvolveu junto à Missão, em algum lugar? De que forma você apresentou esses resultados: Palestra? Seminário? Mini-curso?Mesa-Redonda?Monografia?Seu estudo foi publicado? Outros...
JH:
Sim, uma resumida conversa informal na sala de aula; para além disso, creio que não propriamente sobre os trabalhos que desenvolvemos na Missão, mas de certa forma as minhas experiências nas duas campanhas me possibilitaram um entendimento diferente do que é fazer ciência, pondo peso nos rumos da minha monografia de final de curso, apresentada à banca avaliadora em 2003. Depois dessa defesa, apresentei trabalhos relacionados à arqueologia e à história em palestras na UFMT, em eventos organizados pelos estudantes (DCE), sempre compartilhando minhas experiências na Missão.
Considerando como “tornar público”, a defesa e a disponibilização dos resultados da monografia na biblioteca do Campus a quem possa se interessar, creio que sim, dessa forma foi publicada.
11 -Algo a mais que você queira acrescentar? Por favor, queira fazê-lo aqui!
Considerando como “tornar público”, a defesa e a disponibilização dos resultados da monografia na biblioteca do Campus a quem possa se interessar, creio que sim, dessa forma foi publicada.
11 -Algo a mais que você queira acrescentar? Por favor, queira fazê-lo aqui!
JH:
Em que pese os rumos que as interpretações destas respostas possam tomar, refaço as críticas subliminares no trato anterior, de modo que se tornem mais visíveis e menos propícias ao entendimento maléfico de atingidos por elas.
Segundo as informações dos próprios membros da Missão, o convite feito por eles a UFMT como instituição parceira no início das pesquisas, ainda nos anos 1980, não produziu os resultados esperados; essa abertura parece ter se dado, mesmo sem o apoio institucional formal da UFMT, só a partir de 2000, com a ida de pelo menos uma pessoa do curso de história. Nos anos seguintes a participação subiu para três estudantes locais, variando com a entrada de um ou outro de Cuiabá e parece vir se mantendo até os dias de hoje.
O que ocorre, na minha opinião, é que a UFMT/R, em especial o Departamento de História, não dedica peso à formação de grupos de pesquisa e nem cria oportunidades para a iniciação científica – o que garantiria de fato o ingresso de estudantes em programas de pós-graduação se configurando a partir daí, como uma Universidade de pesquisa séria. Ao que parece, para a maioria dos professores que poderia encaminhar projetos de iniciação científica, a arqueologia não passa de uma ciência “auxiliar”, reproduzindo dessa maneira um pensamento empobrecedor, ultrapassado e preconceituoso. No entanto, nem para as linhas da ciência histórica, consideradas por eles como “sérias”, também destinam tempo e preocupação (proposição de projetos de iniciação). Nem mesmo o argumento de que só tínhamos cursos de licenciatura justifica a indiferença e a submissão intelectual a que fomos submetidos durante todo esses anos; o uso indiscriminado de conhecimento reprodutivista colonialista alimenta essa concepção dependente periférica aliada à falta de pesquisa e vice-versa. A busca pela participação nos diversos projetos constantes no Estado deve ser empreendida de modo a garantir a superação dessa mentalidade colonizada e a organização de conhecimento independente e autônomo por parte dos estudantes interessados. A falta de incentivo é verificada na quantidade de candidatos com o intuito em participar, de fato, como pesquisadores; em muitos casos essa busca é orientada por curiosidade ou diversão, dada a “romantização” do grande arqueólogo “Indiana Jones”.
Por outro lado, a dedicação mais recente de professores interessados apresenta-se mais como ação contemplativa romântica e submissa do que como colaboração participativa, em que incorrem nos mesmos moldes daqueles mencionados anteriormente, não possibilitando nem efetuando uma postura presente de contribuição científica e muito menos de uma visão crítica, principalmente a respeito dos problemas que envolvem a região, tanto sócio/ambientais como de desrespeito à Constituição brasileira. Os administradores do parque, acionados como “proprietários” do patrimônio cultural dos povos, são vistos como colaboradores filantrópicos. Embora se intitulem protetores preocupados com o incentivo de pesquisas na região, não é tarefa fácil conseguir autorização para trabalhos de pesquisa, ficando estas subordinadas somente às etapas exclusivas da Missão. E é exatamente neste ponto que os passivos professores locais não se imiscuem, não forjam sua participação. A utilização daquela região como entendimento da história anterior às mudanças capitalistas não deve se resumir a trabalhos de arqueologia ou história, aliás, essa interpretação comparativa nem é cogitada (pré-capitalista X capitalista), mas deve ser estendida também a outras áreas do conhecimento, como a geografia, geologia, biologia, zoologia, etc. A participação da UFMT/R além de se mostrar parca ainda é majoritariamente exclusivista a estudantes de história; ao invés de solicitar mais vagas tem-se preferido privilegiar somente alunos dessa área. Nos demais casos que aparecem estudantes de outras áreas (biologia, por exemplo), a procura é fruto de empenho próprio do interessado - que não encontra essa “ponte” em seu departamento – que se desdobra para conseguir por seus próprios meios esse contato. - Fim -
Segundo as informações dos próprios membros da Missão, o convite feito por eles a UFMT como instituição parceira no início das pesquisas, ainda nos anos 1980, não produziu os resultados esperados; essa abertura parece ter se dado, mesmo sem o apoio institucional formal da UFMT, só a partir de 2000, com a ida de pelo menos uma pessoa do curso de história. Nos anos seguintes a participação subiu para três estudantes locais, variando com a entrada de um ou outro de Cuiabá e parece vir se mantendo até os dias de hoje.
O que ocorre, na minha opinião, é que a UFMT/R, em especial o Departamento de História, não dedica peso à formação de grupos de pesquisa e nem cria oportunidades para a iniciação científica – o que garantiria de fato o ingresso de estudantes em programas de pós-graduação se configurando a partir daí, como uma Universidade de pesquisa séria. Ao que parece, para a maioria dos professores que poderia encaminhar projetos de iniciação científica, a arqueologia não passa de uma ciência “auxiliar”, reproduzindo dessa maneira um pensamento empobrecedor, ultrapassado e preconceituoso. No entanto, nem para as linhas da ciência histórica, consideradas por eles como “sérias”, também destinam tempo e preocupação (proposição de projetos de iniciação). Nem mesmo o argumento de que só tínhamos cursos de licenciatura justifica a indiferença e a submissão intelectual a que fomos submetidos durante todo esses anos; o uso indiscriminado de conhecimento reprodutivista colonialista alimenta essa concepção dependente periférica aliada à falta de pesquisa e vice-versa. A busca pela participação nos diversos projetos constantes no Estado deve ser empreendida de modo a garantir a superação dessa mentalidade colonizada e a organização de conhecimento independente e autônomo por parte dos estudantes interessados. A falta de incentivo é verificada na quantidade de candidatos com o intuito em participar, de fato, como pesquisadores; em muitos casos essa busca é orientada por curiosidade ou diversão, dada a “romantização” do grande arqueólogo “Indiana Jones”.
Por outro lado, a dedicação mais recente de professores interessados apresenta-se mais como ação contemplativa romântica e submissa do que como colaboração participativa, em que incorrem nos mesmos moldes daqueles mencionados anteriormente, não possibilitando nem efetuando uma postura presente de contribuição científica e muito menos de uma visão crítica, principalmente a respeito dos problemas que envolvem a região, tanto sócio/ambientais como de desrespeito à Constituição brasileira. Os administradores do parque, acionados como “proprietários” do patrimônio cultural dos povos, são vistos como colaboradores filantrópicos. Embora se intitulem protetores preocupados com o incentivo de pesquisas na região, não é tarefa fácil conseguir autorização para trabalhos de pesquisa, ficando estas subordinadas somente às etapas exclusivas da Missão. E é exatamente neste ponto que os passivos professores locais não se imiscuem, não forjam sua participação. A utilização daquela região como entendimento da história anterior às mudanças capitalistas não deve se resumir a trabalhos de arqueologia ou história, aliás, essa interpretação comparativa nem é cogitada (pré-capitalista X capitalista), mas deve ser estendida também a outras áreas do conhecimento, como a geografia, geologia, biologia, zoologia, etc. A participação da UFMT/R além de se mostrar parca ainda é majoritariamente exclusivista a estudantes de história; ao invés de solicitar mais vagas tem-se preferido privilegiar somente alunos dessa área. Nos demais casos que aparecem estudantes de outras áreas (biologia, por exemplo), a procura é fruto de empenho próprio do interessado - que não encontra essa “ponte” em seu departamento – que se desdobra para conseguir por seus próprios meios esse contato. - Fim -
E.d.: o questionário termina com o agradecimento do entrevistador: Obrigado! Manoel Ramos
Assinar:
Postagens (Atom)
nômade, de qualquer jeito e em qualquer tempo...
"...eu sou assim, quem quiser gostar de mim, eu sou assim, meu mundo é hoje, não existe amanhã pra mim, eu sou assim, assim morrerei um dia, não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia..." Paulinho da Viola









